24 de abril de 2009

Eu já disse que gosto do Jorge Furtado? Não?!

"Se o cinema brasileiro é quase sempre indigente tem ao menos como desculpa esfarrapada as enormes dificuldades que qualquer realizador enfrenta para vencer a distância entre intenção e obra. Mas o que dizer de produções tipo "Independence Day" ou "Twister", promovidas com matérias de capa e vastas reportagens de VEJA? Na construção de suas fábulas a maioria dos filmes americanos é tão ou mais indigente que a pior novela das seis. Imagine, por exemplo, como seria tratado um cineasta brasileiro que resolvesse fazer um filme (sério) onde o presidente da república, no dia sete de setembro, pilota um jato para enfrentar invasores extraterrestres. Na média, o cinema brasileiro é bem mais inteligente que o americano. Eles produzem cerca de 500 longas por ano e seguramente menos de 20 exigem do espectador QI maior que o de um tapir adulto."
(Jorge Furtado. Publicado no Não 64.)


Você já conhece o Não? Não?! Pois devia!

"O Não surgiu em março de 1975, quando a maioria de seus colaboradores tinha entre 17 e 18 anos e estava entrando na Universidade. A princípio uma espécie de "boletim de convivência", ele foi evoluindo à medida que o círculo de envolvidos aumentava e as suas preocupações iam se tornando mais "adultas".

O Não teve vários nomes (Impressão, Bagaço, Ex-calado), mudou algumas vezes de formato (a princípio em tamanho caderno, depois ofício e até mesmo tablóide) mas manteve sempre a sua idéia básica: um jornal feito artesanalmente, com um único exemplar que circulava de mão em mão a cada número, e em que as únicas funções do "editor" (cargo definido por revesamento entre os colaboradores) eram juntar o material, fazer uma capa e um índice.

Assim era, e assim durou até 1983, quando saiu o 52º e último número. O Não que surge na Internet, 15 anos depois, é evidentemente outra coisa. Mas esta seção tem o objetivo de mostrar que, ao contrário das evidências, as coisas se relacionam".
("Não era assim")


Por que Não? Leia o editorial do 53º, descubra e comece você também a gostar de Jorge Furtado, Giba Assis, Carlos Gerbase e todos da Casa de Cinema de Porto Alegre. Aproveite, e visite o site/blog deles, mais ou menos um novo Não, já que o outro deixou de existir no número 83, em julho/2008.


E, não! Eu não tô ganhando nada para fazer tanta propaganda assim do Não. Primeiro porque, segundo Carlos Gerbase, "como todos sabem, ninguém recebe porra nenhuma para colaborar no NÃO". E, segundo, porque o NÃO não existe mais.

Tô fazendo isso porque... porque SIM. Oras!

2 comentários:

  1. Porque tu te preocupas em passar cultura pra gente! Amei a colocação do Jorge Furtado... palmas!

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  2. Tatá, veja essas chamadas pro festival de cinema da argentina, acho que você vai gostar:

    http://www.youtube.com/watch?v=ht_LNxySlJo

    http://www.youtube.com/watch?v=f2EdEDVej2A&feature=related

    E a NÃO #53 tá aberta aqui já, lerei em breve

    beijão linda

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